Como precificar procedimentos estéticos? Defina o preço certo com lucro real

Veja como precificar procedimentos esteticos com base em custos reais, margem e ponto de equilíbrio, sem copiar concorrentes e sem perder lucro.

Como precificar procedimentos estéticos de um jeito que garanta lucro real, e não apenas um preço “aceito” pelo mercado?

Você precisa calcular o custo total de cada sessão, transformar custos fixos em custo por hora produtiva e aplicar uma margem que sustente o ponto de equilíbrio. 

Quando essa lógica vira rotina, o preço deixa de ser chute. 

A seguir, veja o método prático, com fórmulas simples e exemplo numérico, para definir valores sustentáveis na sua clínica.

Por que a precificação na estética exige método?

Na estética, dois atendimentos com o mesmo nome podem ter custos diferentes. 

Um bioestimulador muda por marca, concentração, quantidade aplicada, técnica e tempo de sala. 

Procedimentos com aparelhos variam conforme consumo de ponteiras, manutenção e vida útil do equipamento. 

Por isso, copiar tabela de concorrente leva à subprecificação: a agenda enche, mas o lucro não acompanha.

Também entram custos obrigatórios de biossegurança, EPIs e descartáveis, além da oscilação de insumos, sobretudo os importados. 

Se você não revisa a ficha técnica do serviço, o preço que era lucrativo hoje pode virar prejuízo no próximo mês.

O erro mais comum é começar pelo preço

Concorrência é referência final, não ponto de partida. 

Quando você define valor antes de saber quanto custa atender, o preço vira aposta. E clínica não cresce com aposta, cresce com margem, caixa e previsibilidade.

Portanto, se a sua meta é entender como precificar procedimentos estéticos de forma segura, comece pelo mapa de custos.

6 passos essenciais para a precificação correta em sua estética

Abaixo, apresentamos cinco passos estratégicos e eficazes para precificar de forma correta.

Passo 1: mapeie os custos variáveis

Custos variáveis existem somente quando o procedimento acontece. 

Registre item por item:

  • Insumos diretos (ativos, preenchedores, toxina, bioestimuladores, anestésicos); 
  • Descartáveis e EPIs (seringas, agulhas/cânulas, luvas, máscaras, gaze, itens de assepsia); 
  • Materiais pós-procedimento incluídos no protocolo; 
  • Comissões por sessão, se houver; 
  • Taxas variáveis de venda (cartão, plataformas e tributos).

Anote quantidade usada por sessão e custo unitário. Assim, você enxerga reajustes rapidamente.

Passo 2: converta custos fixos em custo/hora

Custos fixos são os que você paga com agenda cheia ou vazia: aluguel, equipe, limpeza, marketing recorrente, softwares, manutenção e depreciação de equipamentos, licenças e despesas administrativas.

Transforme isso em custo por hora:

  1. Some os custos fixos do mês; 
  2. Estime as horas produtivas reais do mês (horas de sala que você vende); 
  3. Divida: custos fixos ÷ horas produtivas = custo fixo por hora.

Se você atende 6 horas produtivas por dia, 22 dias no mês, são 132 horas vendáveis. Esse número define o “valor de fábrica” da sua hora clínica.

Passo 3: calcule o custo total por sessão

Custo total = custos variáveis + (tempo total × custo fixo por hora).

Tempo total inclui preparação, acolhimento, execução, orientações finais e virada de sala.

Em estética, esse detalhe separa lucro real de “lucro no papel”.

Passo 4: defina margem de contribuição

A margem de contribuição é o quanto sobra após pagar custos variáveis. Ela cobre custos fixos e gera lucro.

  • Margem de contribuição = preço de venda − custos variáveis.

Procedimentos de ticket menor tendem a exigir margem maior para sustentar volume e aquisição de pacientes.

Já serviços premium aceitam margens equilibradas, desde que o mix total bata a meta mensal.

Passo 5: valide pelo ponto de equilíbrio

Ponto de equilíbrio é o faturamento mínimo para empatar o mês:

  • Ponto de equilíbrio = custos fixos ÷ % de margem de contribuição média.

Se esse ponto fica acima do faturamento que sua agenda comporta, você precisa ajustar preço, mix de serviços ou produtividade.

Caso contrário, a clínica trabalha muito para ficar no zero a zero.

Passo 6: valor percebido com respaldo técnico

Depois de definir o piso sustentável, ajuste pelo posicionamento:

  • Tecnologia e segurança do protocolo;
  • Diferenciais técnicos e evidências do método;
  • Experiência do atendimento e acompanhamento pós.

O custo define o piso. O valor percebido define o teto.

Para cobrar mais, você precisa justificar isso na entrega e na comunicação, sem promessas vagas.

Mini-exemplo prático

Um procedimento tem custos variáveis de R$ 210.

Seus custos fixos mensais são R$ 26.400, e você tem 132 horas produtivas.

Logo, custo fixo/hora = R$ 200. Se o tempo total do atendimento é 1 hora:

Custo total = 210 + (1 × 200) = R$ 410.

Margem desejada de 60% → preço de venda = 410 ÷ 0,40 = R$ 1.025.

Esse é o preço mínimo sustentável antes do ajuste por valor percebido.

Preço certo financia crescimento

Quando você domina como precificar procedimentos estéticos com base em custos reais, margem de contribuição e ponto de equilíbrio, você evita o cenário clássico da estética: agenda cheia e lucro baixo.

Com preços sustentáveis, a clínica ganha previsibilidade, protege o caixa e investe em equipe, tecnologia e marketing sem sufoco.

Se você quer organizar fichas técnicas, escolher o melhor enquadramento tributário e construir uma precificação realmente lucrativa, uma contabilidade especializada em saúde faz diferença.

A Ascont Contabilidade apoia clínicas e profissionais médicos e estéticos na gestão fiscal e financeira, ajudando a transformar preço em estratégia de expansão.

fale com um de nossos especialistas

5/5 - (1 voto)

Author

Ascont

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *